Crianças com dislexia precisam de atenção especial na escola. Conheça os cuidados

A Dislexia de Desenvolvimento é certamente um dos diagnósticos que mais preocupam pais que veem seus filhos enfrentarem problemas na fase escolar. Esse tipo de transtorno de aprendizagem da leitura e escrita em nível severo afeta o reconhecimento das palavras e compromete, em maior ou menor grau, a compreensão da leitura, assim como interfere na produção textual e na escrita ortográfica.
"Outra característica definitiva dessa dislexia é a persistência do problema, apesar do tratamento adequado. O disléxico pode cursar a universidade, mas isso exige um considerável esforço próprio. Além disso, possui uma moderada evidência de origem genética e, diferentemente da dislexia adquirida, que surge após uma lesão cerebral, a Dislexia de Desenvolvimento já aparece nos primeiros anos escolares e persiste até a vida adulta", explica a pedagoga, fonoaudióloga e psicopedagoga clínica Sônia Moojen.
Por afetar um conjunto pequeno de alunos com problemas de aprendizagem na leitura e escrita com capacidade intelectual normal, vale lembrar que a Dislexia de Desenvolvimento é um problema raro, com prevalência de
Saiba mais sobre esse tipo de dislexia e tire algumas das suas principais dúvidas sobre o tema.
Além de influenciar no aprendizado da leitura e escrita, a Dislexia de Desenvolvimento também traz prejuízo às relações sociais?
O impacto está na dependência da época de realização do diagnóstico. Quanto mais precoce é o estabelecimento do diagnóstico, melhor é, pois a escola pode realizar acomodações necessárias ao progresso no desempenho acadêmico do disléxico, evitando sofrimentos desnecessários. A atitude dos pais, profissionais e escola frente à constatação da dislexia também é fundamental, mas mesmo com diagnóstico precoce verificam-se sentimentos de menos-valia, depressão e rebeldia que podem afetar as relações sociais do indivíduo disléxico.
Como é feito o diagnóstico desta dislexia? Ela pode ser plenamente superada?
Somente após dois anos de escolaridade é possível começar um processo de diagnóstico de dislexia. A partir daí, três profissionais são indispensáveis na realização do diagnóstico: o psicopedagogo ou fonoaudiólogo especializado em dislexia; o psicólogo, com a avaliação intelectual e emocional; e o neurologista, que ajuda a descartar outras causas neurológicas que possam estar afetando o desempenho escolar.
O prognóstico da dislexia é reservado, ou seja, no momento não há cura, mas os efeitos negativos podem ser minorados com o estabelecimento de uma rede de ajuda: profissional, pais e escola. Apesar da dislexia, o indivíduo pode e deve progredir na vida acadêmica, mostrando suas aprendizagens de forma predominantemente oral.
Quais costumam ser as abordagens no tratamento da Dislexia de Desenvolvimento?
Quando descoberto o diagnóstico no início da vida escolar, um intenso trabalho deve ser feito nas habilidades de consciência fonológica e conversor fonema-grafema e, posteriormente, na apresentação da norma ortográfica e na leitura com ajudas.
Concomitantemente ou na sequência, esses sujeitos necessitam de acompanhamento constante com acompanhantes pedagógicos terapêuticos, auxiliando domiciliarmente nas tarefas escolares. Esse acompanhamento pode ser feito até e além da entrada no curso superior.
Em função dos efeitos na área emocional, muitas vezes, o tratamento psicológico é requerido. Considerando que a maior comorbidades da dislexia é o Transtorno de Déficit de Atenção, um tratamento medicamentoso também pode ser necessário.
Quais as acomodações que a escola deve fazer no manejo do aluno disléxico?
É imprescindível que todo disléxico receba um tratamento específico. Mas é crucial que, ao mesmo tempo, se atenda em aula seu problema. A seguir, será recomendada uma série de normas que deverão ser individualizadas para cada caso, com o objetivo de otimizar o seu rendimento e, ao mesmo tempo, tentar evitar problemas de frustração e perda de autoestima, muito frequentes nos disléxicos. (Fonte: Moojen e França In: Transtornos de Aprendizagem. Rotta e colabs. P. Alegre, Artmed, 2006.)
1) Atitudes
- Dar a entender ao disléxico que seu problema é conhecido e que será feito o possível para ajudá-lo. Deve estar muito claro para o professor que o problema não é devido à falta de motivação ou à preguiça;
- Dar-lhe uma atenção especial e animar-lhe a perguntar em caso de alguma dúvida. Para tanto seria recomendável que o disléxico sentasse perto do professor para facilitar a ajuda;
- Comprovar sempre que o material oferecido para ler é apropriado para o seu nível leitor, não pretendendo que alcance um nível leitor igual ao dos outros colegas;

- Destacar sempre os aspectos positivos em seus trabalhos e não fazê-lo repetir um trabalho escrito pelo fato de tê-lo feito mal;
- Evitar que tenha que ler em público. Em situações em que isto é absolutamente necessário, oportunizar que ele prepare a leitura em casa;
- Aceitar que se distraia com maior facilidade que os demais, posto que a leitura lhe exige um grande esforço;
- Nunca ridicularizá-lo ou permitir que colegas o façam.
2) Proposta de ação pedagógica
- Ensinar a resumir anotações que sintetizem o conteúdo de uma explicação;
- Permitir o uso de meios informáticos, de corretores e de gravações;
- Usar materiais que permitem visualizações (figuras, gráficos, ilustrações) para acompanhar o texto impresso;
- Evitar, sempre que possível, a cópia de grandes textos do quadro de giz, dando-lhes uma fotocópia;
- Diminuir os deveres de casa envolvendo leitura e escrita.
3) Aprendizagem de línguas estrangeiras
Considerando o esforço que os disléxicos fazem para dominar a fonologia de sua língua materna, é difícil também que eles dominem uma nova língua. Eles até podem ter habilidade para aprender oralmente a língua, mas o domínio da escrita é particularmente difícil. Schawytz (2006) sugere que, em caso de muita dificuldade, seja requerida isenção de língua estrangeira, substituindo essa disciplina pela elaboração de projetos independentes sobre conhecimentos relativos à cultura do país em que falam esta língua.
4) Avaliação escolar
- Realizar avaliações de forma oral, sempre que possível, uma conduta válida em todos os níveis de ensino, particularmente no ensino superior;
- Prever tempo extra como recurso obrigatório, não opcional, pois a capacidade de aprender do disléxico está intacta e ele simplesmente precisa de tempo para acessá-la. Como o disléxico não automatizou a leitura, ele terá que ler pausadamente, com muito esforço, e se apoiar nas suas habilidades mais altas de pensamento. Ele precisa utilizar o contexto para entender o significado da palavra, um caminho mais longo e indireto que requer tempo extra;
- Evitar a utilização de testes de múltipla escolha, que, pelo fato de descontextualizarem as informações e reduzirem o tempo de execução, se tornam muito difíceis para o disléxico. Estes testes não são indicadores do conhecimento adquirido por ele;
- As instruções devem ser dadas de forma breve, já que a memória para mantê-las é fraca e o tempo de atenção reduzido. Instruções curtas evitam confusões;
- Valorizar sempre os trabalhos pelo seu conteúdo e não pelos erros de escrita. Infelizmente não adianta o professor apontar o erro, pois o disléxico não grava a grafia correta;
- Oportunizar um local tranqüilo ou sala individual para fazer testes ou avaliações para que o disléxico possa focar a sua atenção na tarefa que tem para realizar. Qualquer barulho ou distração atrapalhará a leitura, fazendo com que ele mude a atenção da leitura, o que interfere na performance do teste;
- É indicado o uso de calculadora ou da tabela de multiplicação, em função de dificuldades de memorização de tabuada.
Fonte – Idmed
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