Saiba mais sobre a terapia com

música e os seus benefícios

 

 

 

O povo brasileiro é conhecido por ser um povo alegre e bastante musical. De acordo com alguns estudos, a música trabalha com as nossas sensações e pode oferecer alguns benefícios, o que possibilitou inclusive a criação de uma profissão na área da saúde que utiliza a música com objetivos terapêuticos, visando obter resultados que possam beneficiar funcionalmente o paciente nas atividades diárias. É a musicoterapia.

 

"A musicoterapia, para tanto, exige um profissional habilitado, o musicoterapeuta, que seja capaz de utilizar os métodos e as técnicas específicas da área de maneira sistematizada, dentro de um processo que envolve avaliação, tratamento, alta, manutenção e prevenção. É importante ressaltar que todos os procedimentos, desde a avaliação até a alta, devem ocorrer preponderantemente em nível sonoro-musical", explica a coordenadora do curso de Musicoterapia da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, Tereza Raquel de Melo.

 

Indicada em várias situações como forma de tratamento nas áreas dereabilitação, educacional, social, hospitalar, organizacional, entre outras, a musicoterapia não tem restrição de idade e tem sido utilizada com bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Porém, é importante ressaltar que o processo musicoterapêutico deve ser conduzido por profissional habilitado, pois, ao contrário do que muitas pessoas pensam, a música pode causar malefícios (efeitos iatrogênicos) se utilizada de forma inadequada.

 

Tire algumas de suas dúvidas sobre a musicoterapia e saiba como ela se desenvolveu no Brasil.

 

Como é feita a habilitação em Musicoterapia?

 

A habilitação do musicoterapeuta ocorre em nível de graduação. Vale informar que a UFG foi a primeira Instituição de Ensino Superior pública a oferecer o curso de Graduação em Musicoterapia, que está em funcionamento desde 1999.

 

Como a terapia com a música age no organismo de uma pessoa?

 

O mecanismo cerebral em resposta a um estímulo musical é bastante complexo, sendo objeto de muitos estudos em todo o mundo. Sabe-se que o nosso cérebro reage aos estímulos musicais de várias maneiras, conforme já demonstrado em exames de neuroimagem. Pesquisas mostram que cada parâmetro musical, como melodia, harmonia, timbre, ritmo, etc., ativa uma região cerebral diferente e que a prática musical, nas suas diversas modalidades, promove a neuroplasticidade. Isso pode ser uma das explicações sobre as diferenciações do cérebro de um músico, que apresenta regiões cerebrais mais desenvolvidas, em relação ao de um indivíduo não músico. Assim, o musicoterapeuta, a partir dos conhecimentos musicais e neurofisiológicos relacionados aos estímulos musicais, terá condições de realizar intervenções mais adequadas a fim de alcançar respostas funcionais, e não musicais, mais eficazes, contribuindo com melhor qualidade de vida para o paciente/cliente que se submete ao tratamento musicoterapêutico, associado ou não a outras formas de tratamento.

 

A Musicoterapia pode atingir melhores resultados quando combinada a outros tratamentos?

 

Sem dúvida. A prática atual é de abordagem multiprofissional, razão pela qual, hoje, na maioria dos centros especializados, os trabalhos são desenvolvidos em equipe composta por profissionais de várias áreas.

 

Assim como a musicoterapia, aprender a tocar um instrumento também pode trazer benefícios às pessoas?

 

Na realidade são duas coisas diferentes que apresentam objetivos distintos. Aprender a tocar um instrumento, se for algo de interesse da pessoa, se causa prazer e motivação, sem dúvida proporciona benefícios variados. É importante ressaltar que esse processo de ensino-aprendizagem deve ser conduzido por um professor de música com formação específica, que é diferente da formação do musicoterapeuta.

 

Outras informações

 

Os atendimentos de musicoterapia são chamados de sessões e a duração depende da condição do paciente. Para crianças e pacientes mais comprometidos, a sessão dura em média 30 minutos, com maior frequência semanal. Em outros casos, as sessões podem ter duração de 50 minutos no caso de atendimento individual. Quando a sessão envolver um grupo, a duração é de aproximadamente 90 a 120 minutos.

 

Os atendimentos envolvem experiências musicais variadas que não são necessariamente tocar um instrumento. O paciente pode participar ativamente ou passivamente da experiência musical com o auxílio do musicoterapeuta dentro de uma relação terapêutica. Já com relação ao tempo de tratamento, não há como fazer previsão de resultado, pois depende de vários fatores, inclusive do apoio familiar.

 

Musicoterapia no Brasil

 

A Musicoterapia no Brasil tem crescido bastante e já está bem reconhecida como profissão da área da saúde. Profissionais musicoterapeutas atuam no Brasil há mais de 50 anos, inclusive com associações em vários Estados e diferentes países do mundo. A Musicoterapia Neurológica, uma especialidade da Musicoterapia, é reconhecida pela World Federation for Neurorehabilitation como uma terapia de reabilitação.

 

Já existem várias instituições que mantêm em seu quadro profissional o musicoterapeuta, como a APAE Goiânia e Anápolis, os CAPS Saúde Mental (concurso público), CRER, Hospital Araújo Jorge, Renascer, Projeto Ciranda da Arte, entre outras instituições públicas e privadas, além de consultórios particulares em clínicas multiprofissionais. Infelizmente, no entanto, alguns profissionais confundem a Musicoterapia com "sessões de relaxamento" e não conhecem os benefícios que ela pode proporcionar enquanto terapia de reabilitação.

 

A Escola de Música e Artes Cênicas da UFG mantém o Laboratório Clínico de Musicoterapia, uma clínica-escola aberta a atendimentos musico terapêuticos para a comunidade. Essa clínica recebe pacientes de todas as idades por encaminhamento ou demanda espontânea. Caso haja interesse o telefone para contato é: (62) 3209-6090 ou (62) 3521-1125.

 

 

 Fonte - Idmed

 

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