Qual é a melhor forma de tomar seus remédios? Conheça os cuidados

 

 

 

Toda vez que vamos ao médico em busca de tratamento para algum problema de saúde e é feita a prescrição de uma receita, nela encontramos o número de vezes e a quantidade diária do remédio que será utilizado. Essa é a chamada posologia, ou regime posológico, que deve ser seguida rigorosamente para se obter o efeito desejado.

 

"A posologia está diretamente relacionada a um parâmetro conhecido como janela terapêutica, que é a quantidade de medicamento que necessita estar presente no sangue para que se chegue ao efeito desejado. A janela terapêutica situa-se entre a subdose (dose que não tem efeito) e sobredose (dose que apresenta efeitos tóxicos)", explica a farmacêutica Silvia Dal Bó.

 

Em linhas gerais, quando administrado a uma pessoa, o medicamento é absorvido, entra na circulação sanguínea, é distribuído pelo corpo, pode ser metabolizado e depois é eliminado. Todo esse trajeto e o tempo que leva para cumprir o caminho interferem na janela terapêutica, ou seja, na quantidade de medicamento que está presente no sangue e que tem efeito benéfico.

 

 

 

É importante lembrar que cada remédio tem a sua janela terapêutica, assim como cada um realiza o seu trajeto em um tempo próprio. Assim, cada medicamento precisa ser administrado em uma dose própria e num tempo determinado para entrar na janela terapêutica e gerar um efeito benéfico.

 

"Alguns grupos de medicamentos apresentam posologia semelhante, mas mesmo nestes grupos pequenas variações já serão importantes. Por exemplo, dentro de um mesmo grupo, remédios com potências diferentes serão administrados em doses diferentes, mesmo que o tempo entre as administrações seja o mesmo. Desta forma, acho conveniente estabelecer que cada medicamento terá seu regime posológico individualizado", ressalta Silvia.

 

Alimentos e bebidas alcoólicas

 

A presença de alimentos no intestino pode afetar o metabolismo de alguns medicamentos, fazendo com que maiores quantidades cheguem ao sangue, podendo gerar efeitos tóxicos. Além disso, alguns alimentos podem impedir a absorção, como é o caso da tetraciclina quando administrada junto com leite ou outros alimentos que contenham cálcio.

 

"Há casos em que o alimento pode anular o efeito do medicamento, como é o caso de alguns anticoagulantes. A presença de alimentos no estômago também compromete a absorção de outros remédios, como hormônios da tireoide e antiácidos. Por isso, salvo recomendação do médico ou farmacêutico, é importante que os medicamentos sejam ingeridos com água, de preferência uma ou duas horas antes ou depois das refeições", afirma Silvia.

 

Outro ponto bastante discutido quanto à administração de remédios é o consumo de bebidas alcoólicas, que para muitos influencia no efeito desejado. Para a farmacêutica, dependendo do medicamento em questão, as bebidas não provocam grandes repercussões na ação, desde que ingeridas com bastante moderação.

 

"Minha opinião pessoal é que devemos consumir bebidas alcoólicas com moderação (não mais do que duas latas de cerveja) quando utilizamos medicamentos frequentemente ou de uso contínuo. Quando os medicamentos utilizados forem psicofármacos (antidepressivos, anticonvulsivantes, ansiolíticos, entre outros), sou contra o uso de bebidas alcoólicas, já que o álcool tem efeito depressor do sistema nervoso central, podendo causar efeitos como alterações da coordenação motora e confusão mental", ressalta.

 

De certa forma, a polêmica sobre a ingestão de álcool durante um tratamento diz respeito à diurese, que aumenta quando quantidades elevadas de bebida são ingeridas. Com isso, alguns antibióticos podem ser eliminados mais rapidamente, o que diminui a eficácia. Além disso, o álcool pode interagir com alguns fármacos, como os ansiolíticos (calmantes), potencializando o seu efeito.

 

Cápsulas, líquidos e intravenosos

 

 

 

As cápsulas, os comprimidos e as drágeas, entre outros, são chamados de formas farmacêuticas sólidas e são feitos para serem administrados por via oral. Nesse caso, quando ingerido, o medicamento precisa ser desintegrado no estômago para liberar a substância ativa, para posteriormente ser absorvido. Isso pode levar minutos ou horas, dependendo do tipo de comprimido ou cápsula.

 

Por outro lado, a forma farmacêutica líquida é administrada pronta para ser absorvida pelo trato gastrointestinal. Com isso, o medicamento é absorvido mais rapidamente, mas ainda assim o organismo pode levar minutos para fazê-lo. Enquanto isso, na forma de administração intravenosa ou endovenosa, o medicamento é colocado diretamente na corrente sanguínea do paciente. Assim, a ação terapêutica terá início imediatamente após a administração.

 

"Cabe ressaltar que os medicamentos de administração endovenosa têm fórmula apropriada para tal, o que significa que um remédio preparado para administração oral jamais poderá ser administrado pela via endovenosa, e o contrário também é verdadeiro", completa Silvia.

 

 

Fonte – Idmed

 

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