Novo exame de sangue prevê risco de demência e Alzheimer

 

 

 

Teste tem 90% de precisão e dá cenário dos próximos três anos, afirmam pesquisadores.

 

Pesquisadores desenvolveram um novo exame de sangue que pode prever com 90% de precisão se uma pessoa saudável vai desenvolver a doença de Alzheimer ou declínio cognitivo nos próximos três anos. Os resultados do estudo e como foram identificados e validados os 10 biomarcadores que formam a base do teste foram publicados dia 10 de março na revista Nature Medicine.

 

 

 

Todos os anos, durante cinco anos, os estudiosos da University Medical Center (EUA) testaram a memória, habilidades cognitivas e amostras de sangue de mais de 500 participantes com idade superior a 70 anos. Após esse período, eles coletaram os dados de 53 participantes que desenvolveram Alzheimer ou comprometimento cognitivo leve (MCI) e compararam com 53 que permaneceram cognitivamente saudáveis. Eles usaram espectrometria de massa - método para identificar os diferentes átomos que compõem uma substância - para analisar as amostras de sangue.

 

O trabalho mostrou que 10 fosfolípidos - um tipo de gordura que forma um componente importante das membranas celulares - estavam presentes em níveis consistentemente mais baixos nas amostras de sangue do grupo que desenvolveu a doença de Alzheimer ou declínio cognitivo. Esses resultados foram validados em outro grupo de 41 participantes.

 

Segundo os autores, o painel de lipídios foi capaz de distinguir com precisão de 90% destes dois grupos distintos, mostrando quais pessoas cognitivamente normais iriam desenvolver declínio cognitivo ou Alzhimer dentro de dois a três anos.

 

Os cientistas acreditam que os 10 biomarcadores selecionados mostram sinais de mudanças que ocorrem quando as membranas das células cerebrais começam a quebrar. Dois deles já foram ligados anteriormente à doença de Alzheimer.

 

Eles consideram os seus resultados representam um passo importante na produção de um teste de biomarcador que poderia ser usado para encontrar pessoas em risco para doença de Alzheimer. No entanto, a taxa de precisão de 90% ainda deixa 10% aberto à discussão, necessitando de estudos maiores para analisar a questão com maior profundidade.

 

Siga 6 rastros do Alzheimer antes que ele se revele

 

O Alzheimer é uma doença silenciosa, que se revela aos poucos. Mas um estudo, publicado por pesquisadores do San Francisco VA Medical Center, nos Estados Unidos, conseguiu mapear os seis principais fatores de risco para a demência: sedentarismo, uso de álcool, depressão, tabagismo, diabetes, hipertensão na meia idade e obesidade. Em comum, todas essas condições oferecem algum risco à saúde cérebro-vascular. "Fumo, obesidade, hipertensão e diabetes contribuem para o aumento de lesões no cérebro que levam à perda de cognição", afirma o psiquiatra Cássio Bottino, do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. As lesões, associadas às dificuldades de conexão entre os neurônios (efeito do aumento da proteína beta-amilóide), dão origem à maioria dos diagnósticos de Alzheimer atualmente. "A demência vascular, ou seja, os problemas que surgem devido ao mau funcionamento do coração já são elementos tão importantes quando o crescimento fora de controle da proteína na descoberta da doença", afirma o neurologista e geneticista David Schlesinger, do Hospital Albert Einstein. A seguir, especialistas discorrem sobre a relação entre esses fatores e dão dicas para você cuidar melhor da saúde e se proteger contra o Alzheimer.

 

Síndrome metabólica

 

A geriatra Yolanda Boechat, coordenadora do Centro de Referência em Atenção ao Idoso da UFF-RJ, explica que a síndrome metabólica eleva a incidência de doença vascular cerebral, além de aumentar o estresse oxidativo. A síndrome é a associação de doenças como obesidade, hipertensão arterial, hiperglicemia (níveis elevados de açúcar no sangue), aumento dos níveis de triglicérides, diminuição dos níveis de colesterol "bom" HDL e aumento dos níveis de ácido úrico no sangue.

 

Em comum, todos esses males provocam um maior acúmulo de gordura no sangue, dificultando a circulação pelo corpo. Com isso, há um aumento de lesões microcardiopáticas, assim como a atrofia cerebral. O excesso de glicose no sangue, proveniente do diabetes, tem as mesmas conseqüências. Segundo a especialista, esses fatores, juntos, podem elevar a perda da memória em até 40%.

 

 

 

Hipertensão

 

Num quadro de hipertensão arterial, a intensidade com que o sangue circula acaba causando lesões nos vasos, inclusive nos do cérebro (mais sensíveis)." Danificados, eles acabam levando menos sangue, oxigenação e nutrientes para o cérebro", afirma Cássio Bottino. O tecido cerebral é muito dependente da oxigenação do sangue e pode perder capacidade caso surjam falhas vasculares.

 

Tabagismo

 

Outro fator apontado na pesquisa é o tabagismo. "O cigarro acelera o processo de envelhecimento neurológico e a atrofia cerebral, o que agrava as chances de Alzheimer", afirma Yolanda Boechat. Além disso, é possível que o risco aumente por causa de pequenos infartos cerebrovasculares que aumentam a morte de neurônios, provocados pelas toxinas presentes no cigarro.

 

Álcool

 

O consumo de mais de duas doses diárias de álcool, não importa a bebida, aumenta em quase 10% as chances de ter distúrbios neurológicos. Fora isso, o alcoolista crônico sofre com a perda de tecido cerebral, ou seja, o cérebro encolhe com o tempo e agravam-se problemas como esquecimento e perda da memória recente. Mas o consumo de uma dose diária de álcool (e isso varia de acordo com a bebida) pode retardar o aparecimento do Mal de Alzheimer, de acordo com estudo da Loyola University, em Chicago.

 

Sedentarismo

 

A atividade física, além de combater a obesidade e outros fatores de risco apontados pelo estudo, banha o cérebro com endorfina. Esse hormônio é um antioxidante capaz de fazer uma faxina no cérebro e eliminar radicais livres, combatendo o envelhecimento das células "A prática regular de atividade física também contribui com a irrigação sanguínea das células neuronais, melhorando as conexões e o raciocínio", afirma a médica Yolanda. Segundo pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Rush, de Chicago (EUA), idosos devem praticar de 2,5 a 5 horas semanais de atividades físicas.

 

Depressão

 

Por fim, os pesquisadores indicaram a depressão como agravante do Alzheimer. A dificuldade de relacionamento causada pela depressão prejudica a memória e a capacidade de comunicação, inibindo o funcionamento de partes do cérebro. "Se não for tratada, a depressão pode levar à falência da área cerebral responsável pela memória (hipocampo), incluindo a de fatos recentes.

 

 

Fonte – Minha Vida

 

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