Dengue: saiba como combater

 

 

 

Como ajudar a acabar com os focos de proliferação do mosquito que transmite a doença e como proteger as crianças do mosquito.

 

Doença transmitida pela picada da fêmea do mosquito aedes aegypti, a dengue se espalhou rapidamente pelo Brasil e em algumas regiões já assumiu o caráter de epidemia. Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, só entre janeiro e abril de 2015 já foram registrados mais de 460 mil casos. Embora mais da metade deles tenha ocorrido na região Sudeste, ocorrências da doença foram constatadas por todo o país. Como não existe vacina e nem tratamento específico para a enfermidade (apenas medicações para aliviar os sintomas e medidas para impedir a desidratação do corpo), a melhor maneira de combater a dengue é tomando medidas de prevenção.

 

 

 

Crianças, especialmente as menores de dois anos, idosos e pessoas com problemas de saúde como câncer, HIV, diabetes e hipertensão, entre outras, são as que mais necessitam de cuidados no sentido de evitar a doença, já que neles as consequências podem ser mais graves. "Vivemos hoje uma epidemia de dengue, especialmente no estado de São Paulo. As causas são múltiplas: o mosquito está se expandindo cada vez mais pelo mundo e se adaptando a condições e regiões onde antes ele não vivia. Está mais resistente a temperaturas e altitudes maiores", afirma o infectologista da Unifesp, Celso Francisco Granato. Segundo ele, outro fator que está elevando os casos neste início de ano é a ocorrência de chuvas. "Os ovos do mosquito são muito resistentes, mas necessitam de água para eclodir. No ano passado choveu pouco, mas os mosquitos continuaram colocando ovos. Neste início de ano, com as chuvas, esses ovos tiveram mais condições de abrir. Por isso, além de evitar água parada, é necessário fazer boa limpeza em recipientes que acumulam água, como caixas d’água", diz o médico.

 

De acordo com Regina Tranchesi, infectologista e diretora Técnica do Hospital 9 de Julho, outros motivos para o aumento das notificações de dengue incluem a falta de conscientização para se evitar os reservatórios que proliferam o mosquito e a circulação em nosso país de tipos de vírus da doença que antes não havia no Brasil. "Há quatro tipos de vírus que provocam a dengue. Alguns deles, que antes não eram verificados no Brasil, agora já circulam por nosso território", diz.

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 3 bilhões de pessoas em 120 países vivem atualmente em áreas com risco de infecção pela doença. A OMS estima que 50 milhões de casos aconteçam a cada ano no planeta, sendo que 500 mil são considerados graves e 21 mil resultam na morte dos pacientes. Veja a seguir as dicas dos especialistas para prevenir e conhecer mais sobre a dengue.

 

1. O que é a dengue?

 

"A dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito aedes aegypti. Existem quatro tipos de vírus que provocam a dengue", explica Regina Tranchesi, infectologista e diretora Técnica do Hospital 9 de Julho. O fato de existir quatro tipos de vírus causadores da mesma doença significa que uma mesma pessoa pode contrair dengue até quatro vezes na vida. "Quando uma pessoa contrai dengue pela primeira vez, fica posteriormente imunizada apenas contra aquele tipo de vírus que lhe causou a doença. Porém, se ela tiver contato com outro tipo de vírus causador da enfermidade, irá desenvolvê-la mais uma vez", explica o infectologista da Unifesp, Celso Francisco Granato. De acordo com informações da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), a cada contágio com um novo tipo de vírus, os sintomas apresentados pelo paciente são mais intensos e o risco de consequências graves é mais alto.

 

2. Como acontece o contágio e quando começam os sintomas?

 

Os vírus da dengue são transmitidos pela picada da fêmea do aedes aegypti, mosquito com hábitos diurnos que se multiplica em depósitos de água parada, como em vasos de plantas, pneus abandonados, poças dágua, caixas de água mal tampadas, etc. Depois que a pessoa é picada, a doença entra em período de incubação, que dura de quatro a dez dias. Depois desse período os sintomas começam a se manifestar e podem ser confundidos, a princípio, com uma gripe forte.

 

3. Quais os sintomas da dengue?

 

Os sintomas da dengue variam muito de pessoa para pessoa o que às vezes impede que a doença seja detectada rapidamente. "Os sintomas mais clássicos são febre alta, acima 38,5 °C, dor de cabeça especialmente atrás dos olhos, dores musculares e dores nas articulações. Existe uma grande gama de sintomas. Algumas pessoas ficam com sinais avermelhados na pele, outras não", explica o infectologista da Unifesp, Celso Francisco Granato. Ele diz, porém, que alguns sinais de alerta devem ser levados em consideração e necessitam que a pessoa seja levada o mais rápido possível ao pronto socorro. "Sinais de alerta são ocorrência de vômitos repetidos, surgimento de manchas que se assemelham pontinhos roxos na pele, especialmente na região do tórax e perto do rosto. Outro sinal de que é preciso procurar um médico rapidamente é quando a pessoa apresenta dor na barriga intensa e contínua", afirma ele.

 

De acordo com informações da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), a doença tem três fases de evolução: a febril, a crítica e o período de recuperação. Após três ou seis dias de febre, a temperatura começa a baixar e tem início a fase crítica, quando ocorrem os demais sintomas. Esses sintomas ocorrem por causa da ação do vírus, que ataca os vasos sanguíneos do corpo: ao penetrar em nosso organismo, o vírus provoca inflamação nos vasos, prejudicando a oxigenação dos nossos órgãos, o que leva à sensação de cansaço. O vírus também pode causar inflamação do fígado, o que se manifesta por meio de dores abdominais. E mais: o vírus diminui a produção das plaquetas no sangue, componente responsável pela função de coagulação.

 

4. Como prevenir?

 

Já que ainda não existem vacinas contra a dengue, a única maneira de prevenir a doença é acabando com o mosquito que a transmite. "Esse mosquito não se prolifera em água salgada nem em água poluída, como a água com sabão armazenada da máquina de lavar para reuso, por exemplo. Mas se multiplica em poças de água, em reservatórios de água de chuva ou de água potável, como é o caso de caixas de água e cisternas", explica o infectologista da Unifesp, Celso Francisco Granato.

 

Segundo ele, em casa ou na escola, é necessário fazer uma avaliação para identificar possíveis reservatórios de água que podem servir de berçário aos mosquitos. Colocar areia nos pratos que ficam embaixo das plantas, lavar bem as caixas de água antes de utiliza-las e mantê-las bem fechadas são algumas das medidas para evitar o inseto. "Nas escolas pode haver terrenos grandes como gramados ou áreas abertas onde a água pode se acumular. É preciso verificar se a água está ficando empoçada.

 

5. Como proteger as crianças?

 

"Nos períodos mais críticos de dengue é interessante orientar as crianças a se protegerem usando calça comprida, camisas de manga longa e meias", diz o infectologista Celso Francisco Granato. Segundo ele, crianças acima de doze anos podem usar qualquer tipo de repelente. Já os que têm entre 2 e 12 anos só podem usar produtos adequados para crianças. "Menores de dois anos não podem usar repelentes de jeito nenhum. Para esses pequenos, a melhor medida é usar roupas compridas e manter um mosquiteiro sobre o berço", diz o médico, acrescentando que repelentes são tóxicos para bebês.

 

6. Quando avisar a Vigilância?

 

Regina Tranchesi, infectologista e diretora Técnica do Hospital 9 de Julho ressalta que se a escola ou família suspeitar de caso de dengue, deve notificar imediatamente a Vigilância Epidemiológica do município.

 

Quando vários casos de dengue são constatados em uma localidade, a Vigilância Epidemiológica pode enviar equipes com inseticidas conhecidos como "fumacê". "Mas a população precisa saber que o fumacê é uma maneira de eliminar a forma alada do mosquito, ou seja, o mosquito adulto. O fumacê não acaba com as larvas e ovos. Portanto, não adianta achar que o fumacê vai resolver tudo. É muito importante continuar mantendo os cuidados para evitar a água parada", diz Granato.

 

7. Quais os riscos da dengue?

 

Segundo Regina Tranchesi, infectologista e diretora Técnica do Hospital 9 de Julho, a dengue pode levar à morte quando houver manifestação hemorrágica da doença ou situação de choque no organismo. "Os riscos maiores de complicações são para menores de dois anos, gestantes, adultos acima 65 anos e pessoas com hipertensão, doenças cardiovasculares graves, diabéticos, doentes pulmonares crônicos, pacientes de doenças hematológicas crônicas e com doença renal crônica, entre outros", diz ela.

 

De acordo com o infectologista da Unifesp, Celso Francisco Granato, a manifestação hemorrágica pode acontecer nas infecções por qualquer dos quatro diferentes de vírus da doença. "O que se chama de dengue hemorrágica é um distúrbio de coagulação que pode acontecer quando a pessoa é infectada por qualquer dos quatro vírus e que leva a sangramentos como da gengiva, da pele, ou por perda de sangue na urina, por exemplo. Há pessoas mais suscetíveis a ter variação hemorrágica, mas isso não impede que um jovem de 20 anos também venha a apresentar o problema", explica ele.

 

Quando o quadro hemorrágico se torna muito severo pode haver falência do sistema circulatório, o que caracteriza a chamada síndrome de choque da dengue. Quando o paciente entra em estado de choque, sua pulsação torna-se muito fraca, a pessoa fica pálida e pode perder a consciência. O estado pode causar ainda complicações como alterações neurológicas, problemas cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva e até levar à morte.

 

8. Como tratar?

 

Quando uma pessoa está com dengue o que se trata não é a doença, mas sim suas condições físicas no sentido de aliviar sintomas e evitar complicações. "Não existe tratamento para a doença em si. É preciso esperar o ciclo do vírus acabar. A fase crítica costuma durar sete dias, mas até todos os sintomas passarem e a recuperação ser completa, pode levar duas ou três semanas", afirma o infectologista da Unifesp, Celso Francisco Granato.

 

Segundo ele, é muito importante fazer repouso e manter o corpo bem hidratado. A febre pode ser combatida com medicamentos receitados pelo médico, mas não se devem usar aqueles a base de ácido acetil-salicílico, como a aspirina, pois têm a característica de diminuir ainda mais o potencial de coagulação do sangue. "Crianças devem ingerir bastante líquidos e podem retornar à escola quando estiverem se sentindo melhor, já que a doença não é contagiosa", diz ele.

 

9. O aedes aegypti transmite apenas a dengue?

 

Não. Infelizmente esse tipo de mosquito transmite outras doenças, como a Febre Chikungunya, enfermidade infecciosa causada pelo vírus de mesmo nome e que também pode ser transmitida por outro mosquito, o aedes albopictus. Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, em 2014 foram notificados 3.655 casos suspeitos dessa doença, sendo que 2.773 foram confirmados. Nos primeiros meses deste ano, já foram confirmados mais de mil casos, especialmente no Centro-Oeste, Nordeste e Norte do país. "Podemos dizer que a chikungunya é muito parecida com a dengue, com menos risco, porém com mais dor. A recuperação total pode levar meses, com presença de dores fortíssimas nas articulações dos pés e mãos", diz o infectologista da Unifesp, Celso Francisco Granato. Ele acrescenta que o aedes aegypti também pode transmitir outras doenças, embora ainda não registradas em nosso território, como é o caso da febre Saint Louis (comum nos Estados Unidos) e a encefalite japonesa (comum na Ásia).

 

 

Fonte – Educar para crescer

 





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