Itaitinga assume Escola de Música
na área do Ancuri

Estilo bávaro: construído em 1989, castelo abriga a Escola de Música do Ancuri, mas precisa de reformas.
As negociações ainda estão em andamento, mas custos de reforma serão apresentados ainda este mês. Conforme o prefeito de Itaitinga, Sr. Abdias Patrício, afirmou que está tentando fazer um acordo com Frei Wilson para indenizar o prédio, com um preço justo, para que não haja prejuízo para Frei Wilson e depois reformar a casa para continuar como escola. Mas ainda há indefinição completa sobre o assunto.
Urge assim uma mobilização por parte de políticos, empresários, autoridades em geral e da própria sociedade para que haja uma solução que venha a sanar o problema e manter um bem cultural como uma Escola de Música, para o município de Itaitinga.
No meio de uma vegetação intensa que envolve os territórios de Fortaleza e de outros municípios vizinhos, está erguido um castelo, onde, desde 1989, funciona a Escola de Música do Ancuri (EMA), uma melancólica edificação semi-abandonada.
No entanto, a precariedade do prédio instigou a Prefeitura de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, no sentido de não apenas assumir a escola, como buscar meios para a reforma da edificação.
A informação foi dada, ontem, pelo prefeito de Itaitinga, Abdias Patrício. Ele adiantou que as negociações com frei Wilson Fernandes, criador da Escola de Música, começaram na semana passada e há um entendimento para que o frade seja indenizado pelo prédio.
Com a suspensão do convênio com a Prefeitura de Fortaleza, afirma Abdias, houve um crescente processo de degradação do prédio, sem falar na suspensão das atividades, que ensinavam o manejo dos instrumentos musicais e até de regência.
Segundo o prefeito, somente na sua gestão foi descoberto que o terreno onde foi construída a unidade de ensino pertence ao seu município e não a Fortaleza, onde, durante anos, a Prefeitura mantinha um convênio.
"Nós vamos pagar pelo prédio, já que o terreno pertence à Prefeitura", afirmou Abdias. Ele admite que houve uma confusão inicial sobre se a escola estava em território de Fortaleza ou de Itaitinga, mas os levantamentos feitos recentemente não deixaram mais dúvida quanto ao fato de que a EMA não apenas está localizada em Itaitinga, como o terreno é registrado em nome do Município. "Aqui é como uma Faixa de Gaza (região do Oriente Médio). Estamos nos limites de Fortaleza e Itaitinga", compara o frade.
Para o frei Wilson, esse entendimento é que há de novo, no sentido de resgatar a escola. Ele destaca que a negociação já se iniciou, mas não precisou quanto será cobrado pela indenização. "Para mim, o mais importante é que a Escola seja resgatada. Quanto ao prédio, essa é uma questão menor e, certamente, trará grandes benefícios aos jovens", disse o religioso.
Para a primeira dama do Município, Ianê Oliveira, a manutenção do prédio importa muito para Itaitinga, bem como para todo o Estado. Daí que serão realizados projetos, que deverão arrecadar fundos para a recuperação também do prédio. Ianê acredita que a partir de junho, a Escola de Música já esteja funcionando com o apoio de Itaitinga, embora em outro local, enquanto a casa passa por serviços de reforma.
Nesse sentido, o mês de maio será dedicado pela administração local para um levantamento dos custos do prédio, da forma como se encontra, e quanto seria necessário para os serviços de recuperação e manutenção.
Atualmente, o castelo, construído em estilo bávaro, tanto se destaca na paisagem rural do Ancuri, quanto chama a atenção para o estado de degradação na parte interna.
Bonito por fora e oco por dentro, o castelo já cedeu parte de seus compartimentos para o funcionamento de um depósito de construção. As paredes perderam o reboco e deixam visível a alvenaria. O portão principal está sempre aberto, o que favorece, ainda, a entrada de pessoas no terreno, onde também há um pequeno pomar com frutas regionais. Aliás, a ideia da Prefeitura de Itaitinga é construir uma praça em frente à Escola de Música.
Segundo Frei Wilson, a Escola ainda mantém aulas de flauta, às segundas, quartas e sextas-feiras, pela manhã, reunindo cerca de 60 alunos. As aulas acontecem em compartimentos inadequados, causando desconforto para o grupo que ainda se reúne na casa. "Graças a Deus, hoje são os ex-alunos que estão querendo também assumir a escola, no sentido de repassar seus conhecimentos para novos estudantes", disse Frei Wilson.
Ele lembra que o fechamento da EMA também já suscitou que pessoas residentes em outros países manifestassem o desejo de ajudar. Contudo, ressalta que até o momento não houve nenhum encaminhamento prático nesse sentido. "Recebemos propostas de pessoas residentes na Europa, querendo nos ajudar. Porém, não há uma explicação de como viria essa ajuda", disse o frade.
A Escola já foi referência na formação de crianças e jovens instrumentistas. A instituição já abrigou simultaneamente 260 alunos. Mas, desde o primeiro semestre de 2005, as atividades, incluindo a orquestra sinfônica, ficaram paralisadas por falta de verba. Hoje, as portas do casarão de três andares estão fechadas.
Na parte interna, há um mural retratando a Jerusalém bíblica. Esse é um dos poucos ornamentos que ainda se preservou, apesar do abandono. Já as salas de aula deram lugar a outras alternativas de subsistência, inclusive o depósito de material de construção.
FREI WILSON
O Frei Wilson Fernandes da Silva é um cidadão Brasileiro nascido a 02 de agosto de 1949 em Tutóia no Maranhão. Veio para o Ceará em 1962 ingressando no Seminário de Messejana para ser frade capuchinho. Teve uma sólida formação musical na época e muito incentivo para descobrir que essa arte faz bem ao mundo até o presente. Ordenado sacerdote em 1975. Formado pelo curso superior de musica (UECE)1982.
Seguiu para Paris onde Fez pós-graduação em musicologia e direção de Orquestra, além de dar continuidade à técnica do violino. Voltando ao Brasil em 1987, sendo funcionário municipal, ocupou-se da direção do Pólo de Música em Messejana que foi criado pela competente professora Ana Maria Militão Porto (a “Nininha”, que é destaque deste Portal em http://www.portalmessejana.com.br/nininha/ .
Em 1989 vendo a carência de seu bairro, onde se instalou por opção pessoal pelos pobres, resolveu motivar a juventude criando a Escola de Música do Ancuri. O Frei também tem vários cursos de extensões universitárias como atualização de conhecimentos. Dentre eles está o curso de Cinema S8 e 16mm pela Universidade Federal do Ceará (UFC). É uma arte por ele ainda bem praticada. Aliás o Frei Vai agora em Março à Portugal participar de Workshop de cinema. É algo que faz parte de sua vida artística.
A Escola de Música do Ancuri (EMA) foi fundada pelo Frei Wilson Fernandes da Silva em 1989, e chegou a atender em seu auge cerca de 230 estudantes entre alunos diários e alunos internos residentes na escola. Contava com uma orquestra barroca de flautas de toda a gama: do sopranino ao sub-baixo. A única do Brasil naquele momento. Foi construída uma orquestra Sinfônica com os jovens da periferia com todo o instrumental sinfônico do oboé até tímpanos. Até então, era o único material completo da cidade de Fortaleza, cujos alguns instrumentos ainda hoje se conservam. Inclusive chegaram a incorporar o coral madrigal de Fortaleza - A banda de música e o grupo folclórico.
Até o ano 2004, contou com o apoio da prefeitura municipal de Fortaleza quem apostou pela Escola e pelo seu objetivo de educar através da música. Hoje é um projeto praticamente paralisado por falta de ajudas e apoio da administração pública.
Há apoio de vários internautas pelas redes sociais, particularmente o Facebook, no sentido de que haja sucesso nas negociações e a Escola possa ser mantida.
Diz um “post” do Facebook, na página da referida Escola de Música: “Amigos, o Prefeito de Itaitinga tem intenção de destruir o edificio e fazer uma praça. Vamos atuar? O Frei Wilson não pode ficar sozinho nessa luta! Me ajudem!
Divulguem por favor. Ele é quem dá missa na Igreja da Paz. Obrigado e fiquem com Deus!”
A Escola de Música do Ancuri (EMA) foi fundada pelo Frei Wilson Fernandes da Silva em 1989, e chegou a atender em seu auge cerca de 230 estudantes entre alunos diários e alunos internos residentes na escola. Contava com uma orquestra barroca de flautas de toda a gama: do sopranino ao sub-baixo. A única do Brasil naquele momento. Foi construída uma orquestra Sinfônica com os jovens da periferia com todo o instrumental sinfônico do oboé até tímpanos. Até então, era o único material completo da cidade de Fortaleza, cujos alguns instrumentos ainda hoje se conservam. Inclusive chegaram a incorporar o coral madrigal de Fortaleza - A banda de música e o grupo folclórico.
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