Estátuas de Iracema estão no abandono

  

 

O Portal Messejana publicou uma série de artigos sobre o descaso com a estátua de Iracema, em Messejana. Entretanto não só a estátua, como a própria Lagoa de Messejana estão necessitando de cuidados por parte das autoridades competentes.

Dentre esses artigos Lagoa de Messejana, Qual?

 

Mas na Praia de Iracema, a obra do cearense Zenon Barreto, de 1996, encontra-se em bom estado. Porém, não há sequer uma placa que informe sobre a obra e o artista. (Foto: Patrícia Araújo)

 

Beira-Mar: Inaugurada em 1965, a estátua foi esculpida pelo pernambucano Corbiniano Lins. Alvo constante de depredações, a imagem, por falta de ação do poder público foi restaurada por iniciativa própria, deixando-a deformada

 

Lagoa de Messejana: Do artista plástico cearense Alexandre Rodrigues, em 2004, a estátua está em pior estado: descascando e sem banhar-se, devido a problemas ou roubo do motor. As placas informativas estão pichadas

 

Palácio Iracema: Em melhores condições, a estátua possui placa informando a autoria do artista cearense Francisco Zananzanan, em 2005. A crítica é que a obra, feita com recursos públicos, precisa de autorização prévia para ser visitada

 

O que seria uma opção turística para as férias em Fortaleza, encontra-se, em geral, entregue ao descaso. Na Capital cearense, a virgem dos lábios de mel da obra-prima do escritor cearense José de Alencar (1865), pode ser “conhecida” em cinco pontos da cidade. O problema, entretanto, é que nem sempre a estrutura física, o acesso ou as informações são suficientes para quem pretende entender a obra alencarina, muito menos a importância da protagonista, Iracema, para a história do Ceará.

 

Para se ter uma idéia, as esculturas da heroína estão: na Beira-Mar; na Praia de Iracema; na Avenida Leste-Oeste; na Lagoa de Messejana e no Palácio Iracema, onde funciona o centro administrativo do Governo do Estado. No entanto, a exceção da sede do governo, nenhuma das quatro contavam com segurança patrimonial por parte da Guarda Municipal, quando o Diário do Nordeste as visitou. Além disso, informações acerca da personagem, do artista, da história e da relevância cultural também não estavam expostas nas localizadas na Praia de Iracema e na Avenida Leste-Oeste.

 

Por outro lado, os cartazes informativos da Lagoa de Messejana estavam pichados, o motor que banhava Iracema, quebrado ou roubado, conforme os freqüentadores, a estátua na Leste-Oeste com chicletes, a da Beira-Mar deformada e a que se situa no Palácio Iracema precisa de autorização prévia para ser visitada. “Está muito complicado continuar com o roteiro de visitas às Iracemas. É um passeio fantástico, uma forma de conhecer um dos maiores romancistas brasileiros, mas que está esquecido pelo poder público”, critica o turismólogo, guia e pesquisador, Gerson Linhares, que há 20 anos promove roteiros culturais.

 

De acordo com Linhares, embora as administrações públicas tenha “esquecido” das obras, também falta que as agências de viagens, chamadas receptivas, incluam na programação os roteiros culturais. Em contrapartida, ele reforça que ainda não existe uma conscientização da população sobre a relevância cultural que Iracema possui para o Estado. Até porque, como acrescentou o professor Marcelo Peloggio, do Departamento de Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC), deveria ser iniciado um trabalho com as crianças desde as primeiras séries, além de as estátuas serem inseridas no circuito turístico, que contemplasse o escritor cearense.

 

Afinal, como pontuou, o poema em prosa de Alencar remete ao surgimento do Ceará, já que conta a trajetória da índia Iracema que se entrega à paixão pelo português Martim, chegando a romper com sua tribo. Deste encontro, nasce Moacir, primeiro brasileiro, que, segundo ele, representa a “mistura” que compõe o Ceará, o Brasil e a própria América. “Mostra a heroína que morre sozinha parindo o filho da dor. As estátuas são uma forma, talvez o primeiro passo, para se conhecer o autor e a obra. Ajuda a reviver a memória, o fazer literário, a valorização do escritor. Todas as manifestações nesse sentido são válidas”.

 

Por isso mesmo, Gerson Linhares acredita que o Estado e o Município, além das iniciativas privadas, devem se unir para investir em campanhas e movimentos que contribuam para preservação deste patrimônio histórico-cultural de Fortaleza. Conforme reconhece Colombo Cialdini, presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagem do Ceará (Abav-CE) e do Fortaleza Convention Bureau, é lamentável que os roteiros elaborados pelas receptivas não sejam ideais em relação aos roteiros culturais, pois Fortaleza possui grande acervo.

 

Na sua opinião, também faltam mobilização do público e do privado, além de estrutura física para atender aos turistas e fortalezenses. “A cidade não está preparada, não tem consonância nesse sentido. Tem de haver sintonia entre a estrutura e as agências receptivas. Fortaleza possui enorme acervo, mas não consegue traduzir em benefícios aos turistas”.

 

INFRA-ESTRUTURA

Setfor afirma que melhorias pontuais já serão realizadas

 

A titular da Secretaria de Turismo de Fortaleza (Setfor), Patrícia Aguiar, reconhece que há falhas na infra-estrutura turística da Capital, mas alega, em contrapartida, que “todas as providências estão sendo tomadas” para dar melhorias aos pontos turísticos da Capital. Em relação às estátuas, conforme adiantou, uma parceria entre o poder público e a iniciativa privada, com a Construtora Marquise, já foi realizada para que o restauro seja feito na escultura na Beira Mar. No local, também será feito um trabalho de jardinagem. “Vamos reformar o calçadão, tirar os buracos”.

 

Além disso, acrescentou Patrícia Aguiar, as demais esculturas precisam, apenas, de pequenos consertos. Assim, afirmou que já foram acionadas as respectivas Regionais e, logo, a Guarda Municipal será convocada para que seja organizada a defesa do patrimônio histórico-cultural de Fortaleza. “As estátuas fazem parte da história, representa nosso patrimônio cultural. Estamos tomando as providências. Essas questões mais específicas e pontuais já serão resolvidas, ainda no período das férias”, menciona.

 

De acordo com a secretária de Turismo, “muita coisa boa está por vir para Fortaleza”. Tanto que, Patrícia antecipou que no próximo dia 23 estará em Brasília para apresentar ao Ministério do Planejamento os projetos de intervenções estruturais e de capacitação para incrementar o turismo. Isso porque, como explicou, já estão assegurados US$ 50 milhões oriundos do Ministério do Turismo e do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

 

“Vai permitir resolver 80% de problemas na estrutura física e 20% na gestão ambiental e capacitação. A curto prazo, Fortaleza receberá investimentos que vão mudá-la, sem que perca suas características regionais. A previsão é que isso aconteça no segundo semestre deste ano”. No entanto, como frisou, antes mesmo da liberação da verba, medidas, como a reativação do Conselho Municipal de Turismo, já serão tomadas na Cidade”. 

 

Janine Maia - DN





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