Artesanato - Renda gera renda em Beberibe
O artesanato cearense se manifesta de várias formas, com arte e criatividade. Em Beberibe, os destaques são rendas, bordados e garrafas com areia colorida.
Homens e mulheres de Morro Branco viraram artesãos de areia e renda e m
Em Beberibe, 60 pessoas integram a Associação dos Artesãos de Morro Branco - Areia e Renda. Muitos deles exibem seu trabalho ao vivo e comercializam no Centro de Artesanato Professor José Edir Ribeiro, inaugurado pela Prefeitura de Beberibe em junho de 2008. O equipamento tirou os artesãos da rua, mas o prédio apresenta algumas dificuldades de funcionamento, que eles esperam serem corrigidas pela nova administração.

A associação é presidida por Raimundo Nonato Rodrigues da Costa, que trabalha com areia colorida e prefere chamar a arte de ciricografia. Rodrigues diz que a areia colorida é responsável por 70% da economia de Morro Branco. A entidade tem parceria com o Sebrae, que os leva para eventos e feiras. O Centro de Artesanato tem 60 boxes, mas nem todos estão ocupados. Alguns artesãos trabalham em casa.
Embora a arte seja exercida por homens e mulheres,
Areia colorida

Com o mesmo propósito de evolução, o artesão Davi Alves de Miranda, que trabalha no Hotel Parque das Fontes, reproduziu foto do humorista Zé Modesto e mostra habilidade em logomarcas, brazões, escudos de times de futebol, cavalos e buggy. Davi faz o seu mundo colorido com as areias e diz que a profissão garante o sustento da família.
Mestre dos mestres, Davi Miranda é natural do Rio Grande do Norte e veio para o Ceará em 1981. Descobriu as areias coloridas em Majorlândia e aprendeu a arte com Toinho Carneiro, artista que faz esculturas de areia em tamanho natural. Davi chegou
Morro Branco e Praia das Fontes têm um cenário de falésias de areias coloridas. A variedade é de 12 cores naturais, existentes principalmente no labirinto, hoje protegido por lei. Com a proibição de retirada da areia, foi liberada uma área com areia branca, que ganha cores artificiais para a produção artesanal.
Além da areia e da garrafa ou taça, o artesão utiliza fio de cobre ou palito, uma pequena concha e uma pá feita com aro de panela. São produzidos jarros, cinzeiros, chaveiros, porta-velas e peças para decoração. Com suaves traços e contornos, o artesanato de areia colorida traduz a criatividade do cearense em forma de paisagens, imagens religiosas, gente e outros símbolos do imaginário popular. (Edgony Bezerra).
FIQUE POR DENTRO
Renda bilro fez um longo caminho
A renda de bilro surgiu no século XV, na Itália. Anos depois, a arte do rendado chegou à França, invadindo a Corte do Rei Luís XIV e os centros produtores de Portugal. Com a colonização portuguesa e a forte presença açoriana, esta arte chegou ao Brasil,
O material utilizado é o mesmo desde o princípio: fios, bilros de madeira, almofada cilíndrica, alfinetes e cartões furados. Nas almofadas redondas, recheadas com palha de bananeira, a rendeira aplica o ´molde´, riscado e marcado por alfinetes ou espinhos, e vai elaborando o seu trabalho com um emaranhado de linhas, habilmente conduzidas pelos bilros.
Tilintando os bilros em movimentos rápidos e precisos com as mãos, as rendeiras vão pacientemente transformando as linhas em delicadas peças de rendas. Os bilros são pequenas bobinas de madeira, feitas por artesãos.