Fortaleza é assim:
o Centro Cultural Dragão do Mar

 

 

Como chegar.

Para quem se encontra nas Praias, o acesso mais fácil é pela Avenida Monsenhor Tabosa, tanto de carro como de ônibus; o trecho que vai até o final da Av. Monsenhor Tabosa é a Praia de Iracema, e a partir da Avenida Barão de Studart é a Praia do Meireles.

 

A Avenida Dom Manuel liga o Dragão do Mar ao centro de Fortaleza; o trecho pode ser feito a pé, passando-se no caminho pela Catedral, pela Fortaleza e pelo Mercado de Artesanato.

 

Dragão do Mar é o nome pelo qual ficou conhecido o jangadeiro Francisco José do Nascimento, que em vida era também conhecido como Chico da Matilde.

 

Em 1881, Dragão do Mar, que havia sido nomeado para a importante função de Prático do Porto de Fortaleza, liderou um movimento de jangadeiros que se recusavam a fazer transportes de escravos. O movimento abolicionista foi forte no Ceará, a primeira província a abolir legalmente a escravidão.

 

Inaugurado em 7 de agosto de 1998, o Centro Cultural possui 30 mil metros quadrados de área para vivenciar a Arte e a Cultura Cearenses. Possui atrações como o Memorial da Cultura Cearense, o Museu de Arte, o Cine-Teatro, o anfiteatro, a Oficina de Arte e o Planetário.

 

O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura é uma infra-estrutura completa para o exercício do lazer e da arte, objetivando democratizar o acesso à cultura, gerar novos empregos e movimentar o mercado turístico cearense.

 

Visitantes de todas as localidades e classes sociais, das mais variadas faixas etárias e de renda visitam o Dragão do Mar. A premissa básica é a de que a programação artístico-cultural desenvolvida seja sempre plural, diversificada, inovadora e de alta qualidade, sofisticada até. Porém, o acesso é democratizado, permitindo que a população de baixa renda possa ter acesso aos bens simbólicos ofertados.

 

São 30 mil metros quadrados de área para vivenciar a arte e a cultura, com atrações como o Memorial da Cultura Cearense, o Museu de Arte Contemporânea do Ceará, o Teatro Dragão do Mar (ver programação), as salas de cinema do Cineclube e do Espaço Unibanco Dragão do Mar (confira programação dos cinemas), o anfiteatro Sérgio Mota, um Auditório e o Planetário.

 

Aos domingos a visitação ao Memorial e Museu é gratuita. A maioria dos eventos musicais é aberta ao público ou cobrada preços simbólicos, bem abaixo daqueles praticados pelo mercado.

 

Endereço: Rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema.

 

Mais dados históricos: O Dragão do Mar na história do Ceará

 

Liberdade. A palavra de ordem dos idos de 1800, no Ceará, também nomeia a jangada que pertencia Francisco José do Nascimento, o Chico da Matilde. A jangada foi levada à capital do Império a bordo de um navio mercante, como símbolo da resistência popular abolicionista nas terras de Alencar. O líder dos jangadeiros cravou seu nome na história como o lendário Dragão do Mar, deflagrando a greve dos seus companheiros. Sua ousadia e coragem paralisaram o mercado escravista no porto de Fortaleza nos dias 27, 30 e 31 de janeiro de 1881. Chico, filho da Matilde tinha, então, 42 anos.

 

Boa parte dos livros de História omite que outros ancoradouros e até mesmo esparsas lideranças da elite econômica do Estado tomaram posição idêntica e interromperam o fluxo de escravos em suas regiões e nas fronteiras com outras províncias do Nordeste, como nos conta a História do Ceará, organizado pela socióloga Simone de Souza (p.179). Antes e depois da greve que eternizou o Dragão do Mar, movimentos libertários como a “Sociedade Perseverança e Porvir”, a “Sociedade Cearense Libertadora” e jornais como o Libertador se destacam pela luta contra a escravidão. Mas foi a firmeza do mulato jangadeiro Chico da Matilde que ultrapassou os limites da província e alcançou o Império, mostrando a força da resistência nordestina que consagrou o maior herói popular da história abolicionista do Ceará.

 

O Dragão do Mar é filho de Canoa Quebrada, Aracati. No dia 15/04 de 1839, o pescador Manoel do Nascimento e dona Matilde Maria da Conceição receberam com alegria o filho Chico. Poucos anos depois, aos oito anos, Chico perde o pai e vai morar com outra família. Aos 20, aprende a ler. Torna-se chefe dos catraieiros (condutores de bote), trabalha na construção do porto de Fortaleza, é marinheiro, e finalmente é nomeado prático da Capitania dos Portos. Com a deflagração da greve, em 1881, é demitido. Três anos depois, com a libertação dos escravos, Chico da Matilde leva a embarcação Liberdade no barco negreiro Espírito Santo para o Rio de Janeiro. Mas a Liberdade ganha asas e toma rumo incerto. O jornalista catarinense Raimundo Caruso, conta original versão nas páginas do seu livro Aventuras dos Jangadeiros do Nordeste:

 

“A jangada Liberdade, de Francisco José do Nascimento, era a clássica, de troncos. Símbolo de uma resistência popular vitoriosa no Ceará, foi levada à Capital do Império a bordo de um navio mercante e, mesmo viajando no porão, inaugura a rota das futuras aventuras dos jangadeiros nordestinos em direção ao Sul. A embarcação foi exibida nas ruas do Rio de Janeiro, sob os aplausos da multidão, e pouco depois é doada ao Museu Nacional, onde foi recebida como valiosa peça etnográfica (...). Em seguida a jangada foi transferida para o Museu da Marinha (...), de onde, queimada, feita em pedaços ou desmontada, desapareceu”.

  

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