Atitude do cristão diante da morte

 

 

 

Gilson Moreira

 

 

 

Conceitua-se a morte como “a separação da alma e do corpo que se dá em virtude do desgaste da corporeidade da pessoa. O corpo decai e chega a um momento em que a alma não mais pode operar por seu intermédio. Então o abandona, e dizemos que tal pessoa morreu”. Essa definição aparentemente tão simples, aos olhos da fé, é complexa.

 

Na epístola aos Hebreus atribuída a São Paulo, por refletir as idéias mestras do “apóstolo de Jesus Cristo para levar aos eleitos de Deus a fé e o profundo conhecimento da verdade” nos mostra em Hb 2,14 que na plenitude dos tempos Jesus Cristo, assumindo a morte do homem, ressuscitou, assim transfigurou a morte, fazendo dela a passagem para a recriação e a vida do homem.

 

Complementa São Paulo, pregador e apóstolo entre os gentios, na carta à Timóteo, seu discípulo e companheiro de viagem, que Deus mediante a salvação de Jesus, destruiu a morte e suscitou a vida e a imortalidade pelo evangelho. Então, aos olhos da fé, todos aqueles que aceitam a Salvação, acreditam que a morte que entrou no mundo como conseqüência do pecado foi transformada pelo mestre em Porta do Céu , dando à morte cristã um sentido positivo , como podemos ler na carta aos Filipenses que: “se morrermos com Cristo poderemos transformar nossa própria morte num ato de obediência e de amor com o Pai , e vir conseqüentemente a com Cristo viver para sempre.

 

A morte no sentido cristão é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo de graça e de misericórdia que Deus oferece para que realizemos nossa vida segundo Seu projeto e para decidirmos nosso destino último.

 

Envolvidos por diversas formas de preconceitos próprios, bem como, por opiniões alheias, deixamos muitas vezes de na vida terrestre evitarmos o conhecimento de nós mesmos, sendo que logo após  a morte, o homem se vê tal como é, sem possibilidade de dissimular a realidade e tudo torna-se transparente.

 

A Atitude do Cristão diante da morte, ou seja, de todos aqueles inseridos em Cristo pelo batismo e a eucaristia, é a posse da semente de vida nova preparada para morrer e ressuscitar com Cristo, e uma nova criatura possa nele se formar, neste último chamado que Deus nos dirige e que haveremos de aceitar com humildade, sabendo que a angustia que naturalmente assalta o cristão diante da morte, há de ser superada numa perspectiva de fé.

 

Pode–se crer que Deus comunique aos pecadores agonizantes uma visão global de toda a sua vida passada, a fim de que mais facilmente se arrependam. Não vamos imaginar o Juízo Particular como um tribunal em que o Senhor Deus pesa na balança as obras boas e más da criatura. Ao contrário, ele consiste numa iluminação da alma por Deus, em conseqüência da qual a pessoa toma plena consciência do que foi realmente sua vida terrestre, do sentido e do valor que ela tem , torna-se  claro tudo o que ela fez e omitiu, de bem e de mal, até os últimos pormenores.

 

O cristão deve procurar conscientizar-se que o amor de Deus nos encaminha à bem aventurança celeste, no entanto,  de forma análoga, o ódio ao criador faz que a alma se afaste para longe do Senhor.   

 

 

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