Desarmamento
Necessidade e crescimento para o cristão
Gilson Moreira
Os cristãos precisam contribuir concretamente com a paz, um dos princípios fundamentais do Reino de Deus entre nós – lembremo-nos das palavras de Jesus: “Eu te dou a paz,...” apoiando as iniciativas que levam ao ser humano a condição de vida em harmonia com a criação.
No calendário mundial existe e precisa ser cada vez mais divulgado, o Dia Internacional
da Não Violência, Dia 02 de Outubro. Inicialmente promovido pela Índia com o
co–patrocínio de 142 países para celebrar o aniversário de Mahatama Gandhi, esta ação foi seguida pela ONU – Organização das Nações Unidas, que em Assembléia Geral aprovou por unanimidade uma resolução convidando todos os estados membros, também as organizações não governamentais, a comemorar esse dia “de uma maneira apropriada e disseminar a mensagem da não violência , inclusive pela educação e a consciência do público”.
E nós, cristãos, católicos, que por uma decisão pessoal, seguimos a orientação do filho de Deus através de sua Igreja que se faz presente no mundo inteiro, temos que aproveitar mais esta oportunidade de assumir e difundir o Evangelho, que prega exatamente a não violência.
A maneira como poderemos despertar a consciência do público de forma concreta deve-se comunitariamente ser discutida, se possível no âmbito da sua paróquia, do seu trabalho, da sua casa, sabendo-se que pensar “não violência” é o início do Desarmamento, tão necessário para o crescimento do cristão.
É necessário desarmar-se do orgulho, da arrogância, como condição primeira de aproximar-se da graça de Deus.
A exemplo da mulher pecadora do evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas, o evangelista médico, a pecadora renunciou de tudo o que afastava das bênçãos do salvador e colocou-se na situação mais humilhante no julgamento humano, no entanto, com pleno reconhecimento daquele de onde emanam as graças.
Jesus em nenhum momento obrigou que qualquer um dos seus, se colocasse em situação de desespero para conseguir o reconhecimento do filho de Deus, mas não impedia que o pecador destituído de qualquer vaidade, deixasse o assento principal da mesa, posição sempre perseguida pelo fariseu e no chão, totalmente entregue ao arrependimento pelas atitudes anteriores, sem nenhuma máscara, buscasse alcançar de Jesus o seu perdão e a indicação de uma nova caminhada, de um novo rumo.
A dificuldade de a criatura humana desarmar-se é amplificada por não reconhecer-se pecador, de ser um fariseu que cumpre com todas as suas obrigações, ser justo, correto, irrepreensível.
O juízo maldoso do fariseu sobre a pecadora acontece rotineiramente na nossa vida quando o perdão a qualquer ato cometido pelo próximo é a última coisa a ser feita e anexada a vários condicionamentos.
O remédio pra tudo isso é buscar Jesus, a revelação da Misericórdia de Deus e “conferindo o Salmo 116, comprovar o seu amor para conosco, para sempre Ele é fiel”.
Temos que assumir uma nova postura de filhos de Deus, fazer uma grande guinada na nossa vida, aceitar as promessas do Senhor que transformará todas as coisas.
O tempo, como diz Anne Geddes, uma fotógrafa australiana que reside em Nova Zelândia e conquistou fama mundial com suas fotografias de crianças, “o tempo reconstrói corações, cura machucados, vence a tristeza”.
Todos nós necessitamos de coragem moral e psicológica para enfrentar o dia a dia da melhor forma possível. Faz toda a diferença se a nossa atitude é de desânimo e
auto-piedade ou de disposição para vencer obstáculos. Os gregos chamavam essa força de entusiasmo e acreditavam que, quem a possuía estava sob inspiração divina.
Com entusiasmo, façamos alguma coisa pelo desarmamento de todas as ações nocivas e prejudiciais, não importando o pouco que cada um de nós pode fazer.
Lembrando a querida Madre Tereza de Calcutá, que tanto fez pelos pobres, mesmo achando que era pouco, ela dizia: “Todo esse trabalho não passa de uma gota d’água no oceano. Mas, se eu não tivesse colocado essa gota, o oceano estaria com uma gota a menos.
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